Tecnologia para crianças: quais são os prós e os contras?



Oferecer ou não tecnologia para crianças? A resposta para essa pergunta é um verdadeiro dilema para muitos pais e responsáveis que se veem diante de um mundo no qual a internet domina e as diferentes tecnologias estão em praticamente todos os cantos. Educadores e estudiosos têm opiniões diversas quanto à inserção das crianças nesse mundo.

Fato é que existe uma série de prós e contras no processo. Afinal, hoje em dia, já se nasce imerso em uma sociedade que não vive sem tecnologia, sendo que seu papel é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos. Portanto, é preciso focar em como ela está sendo utilizada para poder impor limites.

Neste artigo, você conhecerá um panorama sobre os prós e os contras do uso de tecnologia para crianças e, ao final, descobrirá a importância de manter um equilíbrio. Confira!

Quais são os prós do uso de tecnologia para crianças?

Desenvolvimento de habilidades

Quando bem utilizada, a tecnologia auxilia no desenvolvimento de várias habilidades nas crianças. Uma das que mais se destaca é a agilidade para executar ações no dia a dia. Como os dispositivos móveis respondem rápido ao toque, os pequenos precisam acompanhar tal funcionamento, o que pede um raciocínio rápido.

Além do raciocínio lógico, a criança consegue desenvolver melhor sua percepção visual. Isso acontece graças a determinados jogos que a ajudam a estimular o aprendizado sobre a relação entre cores e tamanhos. Tais aspectos são cruciais, por exemplo, para a expansão da capacidade sensível do ser humano, mas também para atrair a atenção delas para a concentração em conteúdos mais visuais, como os ligados ao mundo das artes.

Maior foco e atenção

Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia não tira o foco e a concentração das crianças. Quando ela é utilizada da maneira certa, ou seja, promove e estimula o aprendizado, há muitos ganhos, como a capacidade de ter um foco maior nas suas atividades.

Imagine uma criança vendo um jogo todo colorido em um tablet, com vários elementos se movimentando. Ela precisará ficar atenta para entender o que está acontecendo ali e, consequentemente, efetuar as ações corretas, criando uma interação. Esse pode ser um ótimo instrumento para fazer com que ela desperte sua atenção, ajudando-a a ter foco — algo fundamental para o aprendizado como um todo.

Aprendizado lúdico

Outro ponto a favor do uso da tecnologia para crianças é o aprendizado lúdico. Quando o conhecimento está associado às brincadeiras, é bem mais fácil assimilar o conteúdo, sem contar que a criança passa a ser protagonista do seu aprendizado.

Por exemplo, os jogos são permeados por regras e também atalhos. A criança precisa aprendê-los a fim de passar de fase e ganhar. Tudo isso gera um processo de absorção de conhecimento, o que acaba sendo uma opção para guardar com mais propriedade um determinado assunto, ou seja, ter uma memória mais aguçada.

Evolução da comunicação e das capacidades cognitivas

As crianças que estão em contato com a tecnologia em seu dia a dia geralmente conseguem uma evolução mais fácil da comunicação. Provavelmente, você já deve ter visto uma criança que aprendeu uma música em inglês por estar constantemente exposta a um vídeo. Esse é um ganho claro de comunicação, pois a criança é incentivada, por meio da repetição, a desenvolver sua fala.

Falando nisso, um outro benefício associado é a melhora da capacidade cognitiva. Isso significa que a criança expande sua habilidade de interpretar os estímulos do ambiente em que está inserida, promovendo sua capacidade de tomar decisões por si própria — o que é um diferencial quando se trata da independência que ela precisará criar ao longo da vida.



E quais são os contras?

Sedentarismo

No entanto, quando se trata de tecnologia, existem alguns contras que merecem atenção, especialmente porque eles estão ligados à saúde física e mental. O primeiro deles é o sedentarismo, que é uma preocupação mundial e contribui para aumentar consideravelmente o número de crianças com obesidade mórbida.

Quando elas se envolvem de maneira excessiva com as tecnologias e não são incentivadas a praticar esportes ou a estar em contato com a natureza, isso abre espaço para o sedentarismo. Tal situação é perigosa não só para a saúde, mas também para o próprio desenvolvimento da criança, afinal, ela passa a condicionar seu divertimento apenas a uma tela.


Distúrbios emocionais

O excesso de exposição às novas tecnologias tem gerado uma série de problemas emocionais. Há cada vez mais crianças com depressão e ansiedade devido ao tempo em que estão conectadas. São tantas informações, exposições e incitações à compra, por exemplo, que o cérebro dos pequenos, muitas vezes, não consegue assimilar.

Isso nos leva a outro problema sério que é o cyberbullying. A internet proporcionou poder para que as pessoas pudessem ter mais voz, o que deu coragem para que um número maior delas utiliza se a ferramenta como forma de atingir os outros de maneira ofensiva. Quando as crianças têm problemas de relacionamento escolar, podem encontrar na internet um escape, agravando a situação.


Isolamento

Apesar de a tecnologia estimular a comunicação, passar muito tempo em contato com ela pode causar o efeito contrário, pois a pessoa pode usá-la como forma de fugir de problemas ou de situações desconfortáveis. O isolamento faz mal para o corpo e para a mente, além de prejudicar a socialização e a formação de vínculos de amizade com outras pessoas da idade.

Isso desencadeia uma série de outros problemas, como irritação por não estarem conectadas, euforia diante do acesso, além do baixo desenvolvimento de relações humanas, que são essenciais em qualquer fase da vida.



Como alcançar o equilíbrio no uso da tecnologia para crianças?

Para os pais que não cresceram em meio à tecnologia, talvez seja difícil compreender a relação dos filhos com ela. Segundo o filósofo Jordan Shapiro, em reportagem da Época Negócios,

“os pais deveriam participar mais da rotina digital dos filhos ao invés de reprimi-la”.

A ideia é que os pequenos sejam preparados para viver em um mundo em constante transformação. Assim sendo, eles precisam sim ter acesso às tecnologias, mas de maneira equilibrada. Ou seja, a vida real não pode ser prejudicada, o que exige dos pais um controle sobre como serão usados os dispositivos durante o dia, em quais programas e durante quanto tempo.

Alguns cuidados são importantes, como não deixar que a tecnologia interfira no sono e tampouco nas outras atividades diárias. Quando se trata dessa primeira infância, o ideal é que a tecnologia esteja associada ao aprendizado, como é o caso da programação.

De fato, o objetivo é que os pais participem da rotina digital dos filhos de maneira ativa. As escolas que eles frequentam também devem abraçar tais tecnologias para introduzi-las no dia a dia. Isso fará com que a tecnologia para crianças se sobressaia em relação aos benefícios proporcionados por ela.

Em vista disso, de maneira geral, a ideia é promover um equilíbrio quando inserir a tecnologia para crianças. Como dissemos, existem tanto prós quanto contras, mas o importante é sempre prezar pela segurança no acesso.


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